Mestra, sublime e adorável criatura

Que com tanto ardor trabalhaste

Quero, hoje, expressar minha ternura

E agradecer-lhe por tudo que ensinaste

Nesta saudade que nos une agora

Na doce ausência de um olhar

Mestra! Meu coração nesta hora

Com grande amor vem lhe falar…

Obrigada, pelas horas que sofreste por mim

Na dedicação, na doçura de um ensino santo

És abnegada, por isso sua vida não terá fim

Obrigada Mestra! Se eu pudesse imitá-la assim

Não ligaria de passar a vida em pranto

Para provar minha gratidão sem fim.

15-10-56

 

No outono, as folhas secas pelo chão

Lembra as ilusões que agora

Estão murchas e velhas no coração

De quem muito amou, outrora…

 

Essas folhas, insensíveis, sem emoção

São arrebatadas pela estrada afora,

Secas sem vidas, talvez por desilusão

Ou por espera de um sonho que demora

O Outono cinza volta todos ao anos

Constante – igual em todos os tempos

Coincidindo com os sentimentos humanos…

 

Folhas secas levadas, pelo vento

No teu rodopiar eu me irmano,

Para tirar do coração, todo tormento…

 

 

1-9-56

Ideal

on August 19, 2011 in Uncategorized | No Comments »

Amar! Ter presente a criatura amada

Tocar em suas mãos, ouvir sua voz

Viver para ela, pra’mais nada

E não sentir nenhuma ausência atraz

 

Sofrer com ela as dores deste mundo

Compartilhar com a sua felicidade

E ter sempre um carinho profundo

E não sentir jamais saudade

 

Ter enfim o amor em toda vida

Embora sofra, mas com resignação

E tendo sempre a presença querida

 

É bem mais sublime assim amar

Seria o ideal de toda vida

Se ninguém viesse a nos decepcionar.

 

31-5-1956

Saudade

on August 19, 2011 in Uncategorized | No Comments »

Transportei meu coração

Para o mundo da poesia e

Lá permanecerei até o fim da vida

 

Dos sonhos surgiu a Ilusão

E desta veio a Esperança…

 

Depois chegou o Amor, Felicidade e

Sofrimento – Desilusão –

 

E desta amargura

Resultou somente Cinzas

Que levarei a sepultura…

 

Eis a única Realidade

De tudo o que fica: SAUDADE…

 

10 de Julho de 1956

Solidão

on August 19, 2011 in Uncategorized | No Comments »

Sentes aquela mágoa infinda

Não é, meu tristonho coração?

E essa contínua dor não finda

Vem machucar-te com recordação!

 

Se não fosse somente esta saudade

Este “nada” que resultou da vida

Não existiria aquela felicidade

Que evoca a imagem tão querida!

 

O coração magoado, ferido e solitário

Chora, soluça e grita baixinho

Sendo p’ra todos um adversário-

 

Depois… depois… descansa de mansinho

Pedindo ao mundo, este mortuário

Que o deixe, afinal, viver sozinho…

 

 

5-09-55

 

 

Se a vida continuasse

Sem nenhum aborrecimento

E se tudo extenuasse

Sem nenhum contentamento…

 

A vida não seria vida

E não teria valor

Não seria nem querida

Pois não existiria amor

 

Assim havendo dores

Alegrias, lágrimas e emoção

A vida tem mais flores

Pois existindo a recordação

Dos velhos tempos e amores

A vida embala nosso coração.

 

 

19-08-1955